Oi oi, hoje eu queria apresentar pra vocês um livro nacional que me encantou muito, chamado Matéria, espada de madeira. É uma obra publicada independente (nao foi publicada por nenhuma editora) pelo autor Nicolas Eroles. Uma fantasia nacional que eu preciso dizer tem um nível elevadíssimo de criatividade.

Atenção: a resenha pode conter pequenos spoilers sobre a história.


Titulo: Matéria Espada de Madeira.
Autor: Nicolas Eroles.
Ano de Publicação: 2019.
País: Brasil.
Quantidade de paginas: 392.
Gênero: Aventura, Fantasia, Ficção.
Sinopse: Matéria – Espada de madeira parece ter uma trama clássica de fantasia com padrões de um herói, uma princesa e um vilão; só que o herói faz tudo errado, a princesa é uma guerreira e o vilão só é incompreendido. Ralph é um garoto diferente aos olhos da maioria — a começar por sua criação, ele recebeu os cuidados de lagartos humanoides. Ele se vê frustrado ao ser reprovado na academia, certo de que sua vida estava destinada ao fracasso. Entretanto, tudo parece mudar quando um pesquisador lunático lhe oferece uma curiosa missão: roubar as Cinco Pérolas Sagradas dos Guardiões da Ordem do Selamento que, juntas, teriam o poder de invocar um poderoso mago capaz de realizar desejos e vontades. Ralph percebe que aquela talvez seja a única oportunidade para moldar seu próprio destino e, ao lado de outros jovens desiludidos, aceita o desafio sem pestanejar.
Este é primeiro volume de uma saga que narra uma jornada sobre a vida, as dificuldades de crescer, enfrentar os medos e aceitar que as falhas também podem moldar o nosso caráter. Há 40 ilustrações que dão mais humanidade aos personagens, feitas pela artista Yonaka Mile, com a capa ilustrada por Lúcia Lemos.


A jornada do primeiro livro dessa saga tem como personagem principal Ralph, um garoto que é a personificação da bondade e ingenuidade que um ser humano pode ter, um garoto que nunca  o lado ruim das coisas, que sempre leva tudo como aprendizado e que acredita que tudo tem um proposito. O Ralph é o tipo de pessoa que deveríamos ser, ou ao menos o tipo de pessoa que devíamos ter dentro de nós.

Ele parte em um trem rumo a Myriad, uma das oito grandes províncias do Reino de Sellure, para se matricular em uma Academia que treinava alunos para se tornarem soldados do exercito que lutam nas grandes guerras, inclusive acontecia uma naquele momento. O garoto cresceu com essa chama dentro de si de fazer parte desse "exercito" e ser um herói, mas obviamente nem tudo são flores. Ao tentar se alistar a essa escola Ralph acaba sendo recusado por alegar ser um filho de outra raça, os Geckos. 

A verdade é que ele era um humano criado pelos Geckos, mas nunca disse que era isso e sim um "mestiço" e isso o fez nao ser aceito. Em Sellure Geckos nao são vistos como um povo digno e sofrem um grande preconceito por isso.

Então um dilema começa em sua vida, mesmo tomado pela tristeza de nao ter sido aceito, e ate mesmo um pouco de raiva, nada é capaz de o abalar e Ralph resolve por si mesmo ser um herói, ele não precisa estar no exercito pra isso, ele apenas precisa ir atrás do que quer e fazer o que é certo. Com isso, ele parte juntamente a Auria, uma amiga veterana, de família prestigiada que fez enquanto estava tentando fugir da "calourada" - uma cena maravilhosa no livro - em busca de pessoas que queiram fazer o mesmo que ele para recrutar a sua equipe, ao mesmo tempo que se atenta aos sinais do destino para descobrir uma missão a seguir. 

Eles partem entre todos os povoados de Sellure, começando pela Ilha dos Geckos, que de longe é o meu lugar favorito na historia. As pessoas banalizam muito os Geckos, e ao meu ver isso acontece porque de longe sao o povo mais forte daquele lugar, Geckos são criaturas com porte humano porém evoluídos dos repiteis, são os seres mais antigos dali. Mas quando eu digo evoluídos eu também quero mostrar a vocês um outro lado da evolução desses seres: a capacidade de respeitar a natureza onde vivem, a natureza pra eles é muito mais do que uma fonte de matéria prima, é quase como uma entidade sagrada.

Nessa ilha Ralph recruta mais um membro pra sua equipe, Lesten, um membro muito subestimado ao meu ver pelos demais - com exceção de Ralph obviamente - com o corpo evoluído de um jacaré, na ilha também encontram uma peça crucial para o inicio da jornada. Ralph conhece o Doutor Erlenmeyer, um típico cientista doido que dá a Ralph a missão de resgatar as cinco Pérolas Sagradas, protegidas por cinco guardiões em cinco regiões diferentes de Sallure. Essa perolas são a energia de tudo, do mundo, e quem as reúne tem direito a um pedido, podendo ser esse qualquer um. A caça as perolas se torna a primeira missão de Ralph e seus amigos, unindo o útil ao agradável a missão também servirá para recrutar mais membros para a equipe.

No livro a gente acaba conhecendo um monte de personagens incríveis, ate os "vilões" são incríveis, Ralph faz uma jornada intensa que ao pensar em tudo que ele passa só me lembro de uma frase da Fada Madrinha no filme do Shrek: "ele enfrentou ventos terríveis, um deserto escaldante, subiu até a porcaria do quarto mais alto da torre mais alta..."; e meio que é quase isso tudo que ele passou, você sempre pensa que as coisas vão se acalmar, mas a cada pagina uma nova coisa acontece, e mesmo sendo uma jornada que aparenta ser apenas mais uma fantasia, se você analisa as situações, os personagens que vem chegando e suas personalidades, começa a perceber o aprendizado que se pode colher de toda a aventura. 

O final é estupenda, espetacular, eu nao mudaria uma agulha se quer, muitas coisas acontecem e ver que os personagens nao perdem sua essência é a melhor parte de todas. Já conto os dias para o lançamento do segundo livro, e já de adianto digo que o quarto livro já foi finalizado. Conquistou meu coração, principalmente a Hayley uma personagem maravilhosa que se une a equipe por acaso em um momento de muita necessidade. O que eu mais gostei em tudo e sou suspeita para falar é a variedade de animais e ao mesmo tempo a simplicidade em que são apresentados, da a sensação de que existem mesmo rs.

A escrita de Nicolas é impecável, nao enrola nas cenas e isso como já devem saber é meu ponto favorito em livros, odeio quando demoram pra descrever o cenário e os fatos. Quanto ao matérial do livro também só posso elogiar, folhas grossas são ótimas pra nao marcar ou dobrar acidentalmente. Mas de tudo o melhor ponto no livro é sem duvida as paginas com gravuras de cenas que estão acontecendo, essas em estilo de mangá o que deixa ainda mais gostoso de acompanhar na minha opinião pois nos permite visualizar melhor a cena lida.


Eu como uma boa curiosa que sou precisei perguntar algumas coisinhas ao autor e vou deixar aqui em baixo sua resposta, pra que vocês conheçam um pouquinho mais. E já de antemão te digo, visite o blog "O Reino de Sellure", tem muita coisa lá que ajuda a compreender melhor sobre o reino e tudo que nao coube no livro.

O que te inspirou a criar o universo?
Para responder essa pergunta, temos de voltar um pouco no tempo. Matéria surgiu com base em desenhos e rascunhos de minha infância, quando eu tinha uns 10 anos. Parte da graça do livro foi adaptar essas ideias e conseguir manter a essência inocente, os traços e características dos personagens como eles sempre foram. Desde pequeno eu gostava de inventar coisas, minhas inspirações vinham de jogos da época do Nintendo 64 e filmes como o Senhor dos Anéis. Conforme o universo de Sellure foi tomando forma, eu decidi manter essa simplicidade, tentei criar um mundo que não precisasse de nomes de difícil compreensão, que não tivesse as mesmas raças de sempre e, principalmente, que não se parecesse tão diferente do nosso, por isso o foco nos personagens, seus relacionamentos e conflitos.

Os seus personagens são inspirados em pessoas que você conhece?
Eu não gosto de criar personagens baseados diretamente em alguém que conheço, porque isso me limita na hora de escrever e saber até onde posso levá-lo. Eu costumava fazer muito disso quando era um escritor mais iniciante, mas percebi que essas pessoas liam sobre o personagem e esqueciam que ele era, de fato, um personagem.
É comum eu absorver a influência de pessoas ao meu redor, às vezes acabo captando uma característica marcante, um trejeito, vou montando cada peça e no final ele se torna alguém completamente diferente. Já escutei outros autores dizerem: “Travei com esse personagem, porque não consigo separá-lo da pessoa real”, e isso pode ser uma verdadeira armadilha.

Você teve bloqueio criativo quando estava escrevendo?
Eu não sei se posso considerar um bloqueio criativo, porque é comum eu ficar algumas semanas e até meses sem escrever. Quanto mais tempo eu passo longe, mais vai crescendo em mim essa vontade insana de voltar, então é algo proposital, eu me afasto para me organizar. Durante essa ausência costumo pensar, planejar com cuidado cada arco, cada cena e capítulo; quando eu volto para escrever, está tudo tão elaborado na minha cabeça que as coisas vão fluindo! Eu nunca chamei isso de bloqueio criativo, pois escrever vai muito além do tempo em que o autor senta em frente ao notebook e começa a digitar — é todo o processo, o planejamento, buscar referências com filmes, quadrinhos e outros livros. É respirar a obra.

O que você pode dar de spoiler do futuro?
Agora que eu tenho a saga toda concluída, eu posso confirmar que o Livro 2 é o meu favorito — provavelmente o mais íntimo e sombrio também. Diferente dos outros volumes, não havia muita coisa planejada nesse, era uma bagunça completa de personagens e objetivos que não tinham ordem alguma; mas a maneira como tudo foi se encaixando é única, e a mensagem que fica é marcante. Como alguns já devem ter visto pela capa, a Auria se tornou a nova protagonista. Essa também é a primeira vez que temos um vislumbre dos vilões — os verdadeiros, cruéis e ameaçadores, com seus propósitos e intentos —, e isso por si só já é uma ameaça maior do que toda a Ordem do Selamento.
Enfim, aos que têm aquele receio do autor nunca terminar uma obra, estejam tranquilos porque os 4 livros de Matéria já foram devidamente escritos. Pode ser que eles ainda demorem alguns anos para serem lançados, pois é um processo trabalhoso e as ilustrações são o que mais demoram, mas, se depender de mim, continuarei me empenhando até que esse projeto chegue ao fim da melhor forma!



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