Oi, oi gente, hoje eu trouxe a resenha de um livro pequenininho e que me deixou muito curiosa, o ganhei na caixinha de assinatura Clube Skoob, e tinha deixado guardado por algum motivo que nem eu sei kk. 
Alerta: essa resenha pode conter pequenos Spoilers, vocês sabem que tento ao máximo não dar nenhum mas é um pouco impossível. 

Titulo: A cor do Leite
Autora: Nell Leyshon
Ano de Publicação: 2012
Pais: Grã-Bretanha
Editora: Bertrand
Quantidade de Paginas: 205
Sinopse: "O ano é 1831, quando Mary, uma menina de 15 anos decide escrever a própria história. Ela tem a língua afiada, cabelos da cor do leite, tão brancos quanto sua pele, e leva uma vida dura, trabalhando com suas três irmãs na fazenda da família. seu pai é um homem severo, que se importa apenas com o lucro das plantações e joga sobre as quatro filhas a culpa por não terem nascido homens para que pudessem ajudá-lo nos trabalhos mais pesados. Com Mary é ainda mais cruel. No verão ela é enviada ao presbitério, onde sua função é cuidar da esposa do pastor, uma mulher de saúde frágil. Mary não se sentira confortável na nova casa - um mundo desconhecido completamente diferente da realidade a que sempre esteve acostumada. Sua vontade é voltar para casa e para seu melhor amigo, o avô invalido e divertido. Mas a esposa do pastor gosta de Mary e a considera uma companheira agradável. Uma menina simples e analfabeta, mas forte e decidida. Mary não tem escolha: nunca teve. Não escolheu ir para aquela casa e também nao pode escolher a hora de ir embora. Decorrido um ano, ela aprende a ler e a escrever e agora tem urgência em narrar sua historia."

Em primeiro lugar eu preciso dar destaque a escrita do livro, não tem travessão, pouca pontuação, somente letras minúsculas! No inicio eu fiquei irritada, achava que o livro nao tinha sido se quer revisado, depois de um tempo lendo eu finalmente entendi: é pra te passar a impressão de estar lendo o o que Mary escreveu. Em 1800 não existiam tantas regras gramaticais como hoje em dia, e depois que eu entendi isso achei a ideia excepcional, os erros ortográficos, as letras minúsculas, e a repetitiva frase "este é o meu livro e eu estou escrevendo ele com minha própria mão" só firmam ainda mais toda a ideia de que estamos lendo exatamente o que Mary contou. A narração é em primeira pessoa, e por ser um livro com uma escrita de época as falas dos personagens são mais ou menos assim: 

coma tudo, ela disse para mim.
 estou comendo, eu respondi.

Já de inicio do livro, conhecemos toda a família de Mary, suas 3 irmãs (Violet, Hope e Beatrice), sua mãe, seu pai e seu avô que parece ser a única pessoa sensata na família, eles vivem em uma grande fazenda, e trabalham ao por do sol, principalmente as meninas que se esforçam muito para não serem punidas por seu pai, este que sempre que pode faz questão de jogar na cara delas que queria filhos homens e não elas, também nao as deixa estudar pois alega que para trabalhar na fazenda nao precisa saber ler ou escrever.

O pai das garotas recebe a oportunidade de escolher uma delas para ir trabalhar na casa do pastor da região, e por Mary ser a menos útil escolhe ela. O motivo dela ser menos útil é uma deficiência na perna a qual ela nao explica muito a respeito, como ja falei a narrativa é da época, e ela sabe apenas que uma de suas pernas é defeituosas, pela sua dificuldade em caminhar eu presumo que ela tenha uma perna menor que a outra.

O novo trabalho de Mary é ajudar nos cuidados da casa e da esposa do pastor que esta muito doente; a sua nova casa é totalmente diferente da antiga, é descrita por ela como a casa de uma pessoa bastante rica, nela a garota divide um quarto com a empregada. 

O pastor, além da esposa tem um filho, bem danado por assim dizer, aquele típico cafajeste de época, esse filho inclusive engravida a irmã de Mary, Violet, mas nao assume o bebe e parte para cidade grande para fazer faculdade. A esposa do pastor nao tem um final muito bom como devem imaginar, para cortar gastos ele demite a antiga empregada e fica apenas com Mary na casa. 

Mary esta aprendendo com o pastor a ler e escrever, e eu confesso que quando ela começou eu tinha outra esperança no livro, imaginava que a vida dela melhoraria, e que seria mais uma história que a menina pobre se torna uma donzela de sucesso, mas não aconteceu, na verdade foi bem pior, porem eu diria que foi realista. Ela e o pastor viviam sozinhos no casarão e isso foi despertando no pastor um lado nojento. Mesmo com os recuos de Mary ele abusa incansavelmente da garota todas as noites, deixando a jovem em uma vida ainda mais miserável e sem paz. Ela só não foge de lá porque seu pai a mataria já que o pastor paga bem por seu "serviço", e porque ela almeja aprender a ler para que possa ler um livro pro avô.

Já no final do livro, com Mary já alfabetizada acontece algo que eu jamais esperaria que fosse acontecer, juro que eu fiquei chocada com o desfecho da história, na minha mente muitas coisas se passaram mas esse desfecho fechou o livro com chave de ouro. Mary sempre fala no livro que essa vivencia foi a responsável pelos acontecimentos,  mas somente no final do livro você descobre o que aconteceu e a consequência disso.


Em resumo, o livro que no inicio era chato e enrolado, me surpreendeu da forma que eu jamais esperava, e positivamente! Eu recomendo a história para aqueles que gostam de romances e dramas de época, e também para quem quer ler um livro simples. Apesar da sua escrita dificultar um pouco o entendimento, é um livro que te leva a 1800 e te faz entender como as pessoas pobres da época viviam e ao que eram submetidas. 


E ai gostou do livro? Ficou curioso ou tem vontade de ler? Conhece algum livro como esse?